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Cães e Gatos Idosos

05/10/2016

Cães e Gatos Idosos 

Assim como a população humana vem alcançando cada vez mais idade na fase idosa, o mesmo tem acontecido com os cães e gatos. Com o  progresso da medicina veterinária preventiva e os meios de diagnóstico, o pet que há 25 anos atrás vivia em média 10 anos, atualmente pode chegar aos 15 e até aos 20 anos de idade, e com melhor qualidade de vida que antigamente. Além disso, a convivência com cães e gatos também mudou, hoje eles vivem mais dentro de casa e são tratados como membros da família, recebendo com isso maiores cuidados  de seus donos, que esperam ter essa companhia por muitos anos.  E para que essa relação dure o máximo de tempo possível, cuidados preventivos, curativos e de manejo devem ser tomados nessa fase da vida.

O processo de envelhecimento canino varia de acordo com o tamanho do animal. As raças de pequeno porte tendem a viver mais que as raças de grande porte. Cães pequenos e médios iniciam a fase idosa á partir dos 7-8 anos de idade e podem viver de 13 a 20 anos. Os de porte grande e gigante atingem a maturidade mais cedo, por volta dos 6-7 anos de idade, e possuem expectativa de vida menor, cerca de 10 - 12 anos. Já os gatos, que em sua maioria apresentam pouca variação de tamanho e peso, entre 3 e 5 kg, são considerados maduros por volta dos 8 anos de idade e senis por volta  dos 10 anos.

Com o envelhecimento diversos detalhes devem ser observados, pois alterações físicas e comportamentais podem aparecer com a idade. Seja  em função de alterações fisiológicas refentes ao desgaste natural ou em função de patologias mais comuns nesta fase da vida. E por isso o acompanhamento veterinário constante do animal idoso é importante tanto para o bem-estar físico como psicológico, pois assim é possível diagnósticos e intervenções precoces. Muitos processos patológicos no animal idoso podem ser amenizados ou sua qualidade de vida pode melhorar quando uma doença é diagnosticada precocemente.

O acompanhamento constante do proprietário com relação ao animal idoso é de extrema importância, pois muitos sinais de doenças e/ou alterações comportamentais só serão  observados no ambiente doméstico. Como por exemplo:

  • Alterações em hábitos alimentares
  • Acordar os proprietários durante a  noite
  • Defecar ou urinar em locais impróprios
  • Diminuição na atividade e interações sociais com a família.
  • Dificuldade auditiva, olfatória ou visual
  • Vocalização excessiva (miados ou latidos fora de hora e/ou frequentes)
  • Aumento no consumo de água e frequência de urina

 

Visitas periódicas ao veterinário permite realização de exames que podem detectar alterações antes do aparecimento de um sinal clínico óbvio. É importante um exame completo do cão ou gato, incluindo: sistema sensorial, cavidade bucal, coração, pulmão, palpação de articulações, linfonodos, próstata, abdômen etc. Deve-se realizar exame físico  e exames complementares (hemograma, bioquímicos, urinálise, raio-x, ultrassonografia e outros exames de acordo com a necessidade), uma a duas vezes ao ano. Alterações em funcionamento renal, hepático e cardíaco podem ser detectados através de check-ups, antes mesmo do animal apresentar sinais de doença, e com isso pode-se instituir tratamento precoce, podendo em muitos casos aumentar a sobrevida do animal.

Saiba uma pouco mais sobre as mudanças que ocorre no cão ou gato idoso:

Nutrição

A medida que o animal envelhece seu metabolismo muda, e suas necessidades calóricas diminuem, bem como o nível de atividade física. Com isso o tipo e quantidade de alimento oferecido deve ser adaptado para evitar a obesidade, que é um problema sério nos animais idosos pois pode favorecer o aparecimento de doenças ou contribuir negativamente para piora das já existentes. As necessidades minerais também mudam e uma dieta com quantidades adaptadas de determinados minerais pode contribuir para o bom funcionamento do coração e rins do animal idoso. Algumas vitaminas adicionadas a dieta também podem contribuir como fator "anti envelhecimento".

Ao realizar a mudança na dieta,  também deve-se considerar que nos animais idosos a motilidade gastrointestinal  se torna mais lenta, e portanto apresentam tendência a constipação (i.e dificuldade em defecar), o que em consequência pode levar a problemas em glândula anal, como impactação, inflamação e abscessos. E nestes caso, a quantidade de fibra da dieta também é levada em consideração.

Mecanismos de Defesa 

O sistema imunológico do animal idoso também já não é tão eficaz quanto na juventude, e portanto todo cuidado deve ser tomado para evitar infecções que pode ser muito mais graves nesta idade. Para isso devemos por em prática a medicina preventiva,  mantendo o esquema vacinal regular, prevenindo infestação por pulgas, carrapatos e verminoses.

Nos gatos, a infecção pelo vírus da imunodeficiência felina (FIV), pode ser mais preocupante na fase idosa. 

Pele e Pêlos

Alterações na qualidade e quantidade da pelagem e aparecimento de pelos brancos em  algumas regiões, principalmente face, pode ocorrer mais comumente no cão, além da pele poder ficar mais fina, menos elástica e seca. A pele que recobre os coxins ("almofadinhas" dos pés e mãos) pode se tornar áspera e ressecada, assim como a superfície do focinho. Nestes casos é possível tentar amenizar a condição, com uso de suplementação de ácidos graxos ou utilização de cremes/pomadas hidratantes prescritas pelo veterinário.

As unhas exageradamente compridas também pode ser um problema nos cães idosos pouco ativos, assim como aparecimento dos calos de apoio, por ficarem mais tempo deitados. Já os gatos idosos diminuem seu hábito de limpeza da pelagem (lambedura) o que pode levar a uma pelagem seca, áspera e formação de nós.

Atividade Física e Mobilidade

Cães e gatos idosos tornam-se menos ativos. Mas essa diminuição pode  ser devido a alterações cognitivas ( a ser abordado a seguir) ou devido a dores/doenças articulares.

Artrite, artrose, "bicos de papagaio" (osteofitose), doença do disco intervertebral são problemas articulares que acometem principalmente os cães idosos, que podem ter dificuldade em subir ou descer escadas, dificuldade em se levantar pela manhã, entre outros sinais dependendo do local da lesão.  Uma vez com dor, o animal deixa de usar a musculatura daquele local, que a longo prazo acaba atrofiando, reduzindo ainda mais sua habilidade de movimentos. O uso de determinadas medicações podem aliviar as dores, e melhorar  a mobilidade do animal, melhorando seu nível de atividade e com isso, reduzindo as chances de atrofia muscular e obesidade. 

Termorregulação

A medida que os cães e gatos envelhecem, diminuem  sua habilidade em regular sua temperatura corporal. Isso significa que eles ficam mais sensíveis as mudanças de temperatura, podendo não mais suportar temperaturas muito frias ou muito quentes. Com isso precisam  do auxilio de roupas, cobertores, colchões isolantes, locais fechados ao abrigo de vento e chuva, nas baixas temperaturas. No verão com calor intenso, eles podem ficar abatidos e apresentarem redução de apetite, e se beneficiam de locais frescos, bem ventilados e água sempre fresca.

Alterações Sensoriais

A percepção de sabor pode diminuir em gatos idosos, o que pode levar a perda de apetite  e anorexia, o que pode ser amenizado com adaptação da dieta.

Diminuição na capacidade auditiva pode ocorrer em cães e gatos velhos. Alterações sutis são muitas vezes difíceis de perceber pois os outros  sentidos (como olfato) acabam compensando tal diminuição.  Já as mudanças visuais podem ser decorrentes  de doenças oftálmicas comuns nessa idade, como por exemplo a catarata senil e a esclerose nuclear.

Cães e gatos com déficits na visão e audição, podem apresentar alterações comportamentais como: "não obedecer"  mais comandos, se tornar animais assustados, agressivos, que na verdade são reações instintivas por não estarem mais confiantes  nos seus olhos e ouvidos, não vendo/escutando alguém se aproximar por exemplo. Nestes casos, mudança ambiental  e na interação com o animal pode fazer toda a diferença.

Cavidade oral

Acúmulo de tártaro, gengivite, periodontite,  estomatite, úlceras  e tumores orais, são doenças que  tornam-se mais comuns ou intensas na fase idosa. Através de exames periódicos  e procedimentos como remoção completa do tártaro, restauração ou remoção de dentes fraturados, é possível evitar problemas mais graves a medida que os anos passam. Problemas em cavidade oral, pode levar a complicações em outros órgãos do organismo: problemas que causem dor fazendo com que o animal apresente uma perda de apetite, desprendimento de placas de tartaro, que através daa corrente sanguinea podem levar  a problemas cardíacos (endocardite bacteriana), além de infecções generalizadas graves.

Disfunções Orgânicas

a) Insuficiência Renal Crônica

Com a idade os animais apresentam um risco maior para desenvolver doenças renais. Isso pode ser devido a mudanças no próprio rim ou como consequência da disfunção de outros órgaos, como o coração.

b) Insuficiência Cardíaca

A medida que o coração envelhece ele, diminui um pouco a força com que bombeava o sangue para o resto do organismo. As válvulas cardíacas perdem sua elasticidade e isto também contribui para um mau funcionamento cardíaco. Alguma mudança na função cardíaca é comum com a idade. Mas mudanças mais severas como a insuficiência cardíaca, no qual o animal começa demonstrar sinais clínicos do funcionamento inadequado, devem ser tratadas através de medicamentos e dieta. Exames como radiografias e eletrocardiogramas, são formas de avaliar o coração.

c) Insuficiência Hepática

O tamanho do fígado reduz com a idade assim como o fluxo sanguine hepático e sua atividade enzimática. Nestas condições o metabolism de algumas drogas pode ser comprometido. Apesar do fígado ser um órgão único na sua capacidade de regeneração, ele envelhece do mesmo modo que os outros órgão. Com isso, sua habilidade em remover toxinas do sangue e produzir inúmeras enzimas e proteínas, diminui com a idade. Quando se detecta alterações hepáticas em exames de sangue, é possível uma alteração em dieta para evitar progressão do problema.

Devido ao fato de  vários medicamentos  dependerem do fígado para serem metabolizados, em animais com alteração na função hepática deve-se ter cuidado redobrado na escolha de drogas (incluindo anestésicos)  ou ajustando a dose de acordo com a gravidade do caso.

Sistema Reprodutivo e Alterações Hormonais

Devido a estímulos hormonais reprodutivos, fêmeas não castradas estão mais predispostas ao aparecimento de piometra, tumor de mama e cistos ovarianos Os machos não castrados pode apresentar aumento de próstata e tumores em testículos.

Com a idade algumas glândulas do organismo sofrem alterações podendo produzir hormônios em excesso ou mesmo diminuir sua produção. Com isso doenças hormonais como diabetes melitus, hipotireoidismo (nos cães) e hipertireoidismo (nos gatos) são mais comuns nos idosos. Doenças estas que quanto antes diagnosticadas, melhor o prognóstico do animal.

Sistema Cognitivo

Animais envelhecendo sofrem com frequência um declínio da função cognitiva (memória, aprendizado, percepção e consciência)

Como os efeitos do envelhecimento  no cérebro podem ser sútis  e letamente progressivos, é muito importante que os proprietários  conheçam estes sinais e os relatem  ao veterinário tão logo eles surjam. Alterações comportamentais também podem ser  o primeiro sinal de problema físico ou de saúde.

A medida que o animal envelhece, células nervosas morrem e não são substituídas, as vezes algumas proteínas também podem  acumular-se nas células nervosas e impedi-las  de funcionar corretamente  e a comunicação entre essas células pode ficar alterada. Para alguns animais as mudanças em seu sistema nervoso podem ser suficientemente grandes para causar  alterações do comportamento. A isto chamamos de disfunção cognitiva. Alguns sintomas desta disfunção, inclui: confusão ou desorientação, inquietação (principalmente a noite), perda total ou parcial do controle esfincteriano, decréscimo de atenção, diminuição de atividades e até o não reconhecimento de amigos caninos ou humanos. Há  muitos paralelos entre disfunção cognitiva canina e o mal de Alzheimer humano.

O diagnóstico da síndrome da  disfunção cognitiva, é feito pela exclusão de problemas médicos que poderiam estar levando aos sinais clínicos presentes, em alguns casos torna-se difícil  diferenciar em problema comportamental primário, doenças de base ou distúrbio cognitivo, e com isso pode-se usar um questionário cognitivo para rastrear a resposta a terapia.

Alterações Comportamentais

Cães idosos podem ter uma diminuição na sua capacidade de lidar com o estresse e isso pode alterar alguns comportamentos. Ansiedade da separação, agressão, irritabilidade, fobias (principalmente a barulhos), destruição, distúrbios repetitivos ou compulsivos, sujeira doméstica e crescente vocalização podem aparecer  ou tornarem-se mais intensos, em cães idosos. Vários medicamentos combinados com técnicas amorosas de modificação comportamental podem ajudar a resolver ou diminuir alguns destes problemas. Devido a estas mudanças comportamentais, nem sempre é interessante a adoção de um filhote para " fazer companhia" ao  mais velho (isso vale para cães e gatos). A menos que o mais velho  ainda tenha plena mobilidade, esteja vendo e ouvindo bem e não apresente alterações cognitivas, de modo a pode se afastar do filhote sempre que quiser, caso contrário poderá ocorrer agressividade e ataques ao novo animal. 

 

Em resumo:  "A FASE IDOSA NÃO É UMA DOENÇA. É APENAS UMA FASE DA VIDA."

Com isso, A CliniPet oferece incentiva e disponibiliza a medicina preventiva senil, que inclui acompanhamento de cães e gatos senis através de exames físicos e laboratóriais periódicos, mudança na dieta e avaliação comportamental do paciente  idoso em busca de mudanças comuns a idade e que podem alterar a rotina de manejo (alterações cognitivas, déficts visuais, auditivos, olfativos etc.). Tendo como reconhecer e  controlar fatores de risco a saúde, diagnosticar doenças subclínicas, corrigir ou retardar a progressão de problemas existentes, e melhorar ou restaurar funções residuais existentes.

Podendo assim melhorar a qualidade de vida do paciente, fazendo com que seu proprietário desfrute por mais tempo da companhia de seu "velho" amigo!

 

Maricy Alexandrino - Médica Veterinária 

Esse texto é um trabalho original do Autor e é protegido pela lei dos direitos autorais. Qualquer uso ou reprodução  desse texto depende de prévia e expressa autorização.

 

Referências Bibliográficas

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