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Bronquite Canina e Felina

23/04/2016

Bronquite Canina e Felina

 

O termo bronquite, refere-se a inflamação de uma parte do trato respiratório ou vias aéreas menores, chamado brônquio. Esta “região” é uma ramificação da traqueia e está localizada na entrada dos pulmões, e permite o transporte de ar para dentro e para fora dos pulmões [6]. Bronquite crônica é o termo geralmente utilizado parra descrever uma síndrome respiratória progressiva, caracterizada pelo excesso de secreção de muco na árvore brônquica e tosse frequente, persistindo por pelo menos 2 meses consecutivos [2]. Os brônquios podem tornar-se obstruídos por causa de constrição ou contração dos músculos das paredes dessas vias áreas, de inflamação ou irritação das vias aéreas ou de secreção excessiva de muco que tampa o interior das vias aéreas , sendo o resultado final uma capacidade prejudicada de levar o oxigênio para os pulmões  para que seja liberado para o resto do corpo[6].

Gatos

A bronquite felina, também é  chamada de asma, porém este termo é um pouco enganoso/confuso. Pois a asma em pessoas refere-se  principalmente a constrição reversível  dos músculos das paredes dos brônquios. Já a bronquite está associada a tumefação (inchaço) das paredes do brônquio que causam passagem estreitada e obstrução das vias aéreas  por tampões de muco ou outras secreções, que ajudam estreitar ainda mais esses tubos. Alguns gatos possuem asma verdadeira, enquanto outros tem bronquite [6]. Clinicamente essa diferença é observada pela variação na gravidade dos sinais e na resposta a terapia [5].

A bronquite felina não é uma doença específica mas sim um diagnóstico descritivo. Em muitos gatos a bronquite é idiopática, ou seja, sem cauda definida. Todavia, algumas doenças tratáveis que podem estar associadas a bronquite felina devem ser consideradas na avaliação diagnóstica, como bronquite alérgica, infecção bacteriana ou por micoplasma, parasitas pulmonares e dirofilariose.

Cães

Bronquite crônica é,  em associação com colapso de traqueia, provavelmente a doença do trato respiratório mais comum em cães[7]. Inflamação das vias respiratórias, leva a tosse crônica e excessiva produção de muco. Devido ao fato que cães não conseguem expectorar (cuspir), fica difícil saber se o cão está produzindo excesso de muco[7] .  Portanto, o diagnóstico é quase sempre baseado nos quadros de tosse crônica [7]. Geralmente ocorre com mais frequência em cães de raças pequenas e de meia idade a idosos [5] . Sendo algumas raças com maior prevalência, entre elas Poodle Toy, Pequinês, Yorkshire terriers, Chihuahuas, e Lulu da Pomerânia[2]. Coincidentemente, estas raças de pequeno porte também estão predispostas ao desenvolvimento de colapso de traqueia [2] e insuficiência cardíaca mitral [5], que são doenças complicadores nos pacientes com bronquite [2].

 

Causas e Sinais clínicos

A bronquite pode ser aguda (de curta duração)  e associada a lesões reversíveis  na estrutura das vias aéreas  ou crônicas  (de longa duração geralmente 2-3 meses) e associada com mudanças permanentes e irreversíveis das vias aéreas. A bronquite e a asma podem ocorrer ao mesmo tempo e podem ser causadas por infecções bacterianas, parasitas, alergias ou irritantes inalados, mas em muitos casos a causa básica não pode ser encontrada [6].  Porém é sabido que fumaça, agentes poluentes e irritantes (incluindo granulado da caixa de areia dos gatos e produtos de limpeza doméstico), alergias, infecções e o convívio com fumantes favorecem o aparecimento dos sinais clínicos [8].

Os sinais clínicos mais comuns incluem tosse constante, cíclica ou sazonal, respiração difícil[6], sensibilidade em traqueia[1] e sons pulmonares alterados á auscultação [7]. Episódios de tosse podem ser confundidos com vômitos[6.8], quando eles apresentam tosse intensa seguida por ânsia. A respiração pode ser rápida e exigir esforço, nos casos mais severos pode ser ouvido chiados e ruídos com movimentos expiratórios prolongados, além de angústia respiratória, cianose (mucosas arroxeadas causado pela má oxigenação) e respiração com a boca aberta (principalmente nos gatos gravemente acometidos) [3].

 

Gato em crise de tosse 

Cães com bronquite geralmente chegam ao veterinário, com queixa principal de tosse, que pode ser produtiva (com produção de muco/catarro) ou não produtiva [5]. A tosse geralmente progride de forma lenta por meses a anos, sem sinais sistêmicos [5]. A medida que a doença evolui, intolerância a exercícios torna-se evidente  e é seguida por uma tosse incessante ou angústia respiratória evidente [5].       O colapso traqueal pode culminar com angústia respiratória e síncope (desmaio) em cães durante episódios de tosse paroxística . É possível um cão afetado morrer devido a obstrução das vias aéreas durante um quadro agudo.

Tanto a bronquite cronica canina quanto a asma felina, são doenças crônicas mas que podem ter crises de agudização, manifestando angústia respiratória, cianose e síncope após um severo episódio de crise de tosse aguda[2]. Nos casos de pioras agudas dos quadros de bronquite crônica, várias causas devem ser investigadas entre elas pioras causadas por um período de excitação incomum, estresse ou exposição a irritantes ou alérgenos, ou por uma complicação secundária, como infecção bacteriana e desenvolvimento de uma doença subjacente.  Pacientes com bronquite crônica tem melhoras e pioras, mas nunca estão normais, períodos de normalidade entre as crises sugerem que o animal tenha asma.

 

Diagnóstico

O diagnóstico da bronquite é feito baseado no histórico de tosse crônica com duração de dias ou meses na ausência de outras doença ativa, bem como  na presença de alterações características nas radiografias torácicas.  Porém nem todos pacientes com bronquite apresentarão alterações nas radiografias [5.8]. Em alguns casos mais severos ou quando há necessidade de descartar outras doenças concomitantes, exames mais invasivos podem ser importantes, entre eles citologia broncopulmonar, cultura de lavado traqueobronquial (para detecção de infecção bacteriana), broncoscopia e biópsia com histopatológico. A broncoscopia é importante nos casos onde há suspeita de bronquite crônica associada a colapso de traqueia.

Cada caso deve ser cuidadosamente investigado em relação a associação com exposição a alérgenos em potencial, como uma nova cama, fumaça de cigarro ou de lareiras, produtos de limpeza para carpetes ou produtos  domésticos que contenham perfumes como desodorantes e sprays [5]. Reforma recente ou outra mudança no ambiente do animal também pode ser fonte de alérgenos [5]  (substâncias que causam alergias). É importante descartar outras causas de tosse crônica, como insuficiência cardíaca congestiva, infestação por dirofilariose, pneumonia, tumor em pulmão, tosse dos canis, Infecção pulmonar (bacteriana, fúngica, parasitária, viral, protozoários), efusão pleural (principalmente nos gatos, tais como: quilotórax, piotórax), tromboembolismo pulmonar, pneumotórax entre outras causas [3.7]. Esta tarefa pode ser complicada, pois comumente a bronquite crônica é uma doença de cães e gatos velhos, e estes animais também podem apresentar outras doenças concomitantes  que também pode levar a tosse. Bem como ser uma doença comum em cães de pequeno porte, e estas raças também estão predispostas ao desenvolvimento de colapso de traqueia e insuficiência cardíaca mitral, que leva a compressão bronquial e tosse. Tais doenças devem ser diferenciadas, e suas contribuições ao desenvolvimento dos sinais clínicos atuais determinados de modo que o tratamento adequado possa ser adotado.

 

Tratamento

O tratamento é basicamente sintomático, com tratamento específico possível apenas para doenças subjacentes ou complicantes que possam ser identificadas [5] , cada caso deve ser tratado individualmente, já que os animais com bronquite podem apresentar diferentes estágios da doença bem como presença ou ausência de doença cardiopulmonar concomitante ou infecção secundária[5].  As medicações comumente utilizadas incluem broncodilatadores, corticóides, antibióticos e supressores de tosse. Nos casos de exacerbação agudas dos sinais clínicos, oxigênio via máscara deve ser administrado imediatamente e um cateter venoso colocado em qualquer veia disponível [2], as medicações emergenciais são aplicadas via intravenosa ou intramuscular de acordo com a gravidade.

Inflamação bronquial, independente da causa, leva ao espessamento da mucosa e parede das vias aéreas, secreção de muco e em algum grau contrição da musculatura lisa [7]. O resultado, são sinais tosse e intolerância a exercícios [7]. Portanto o tratamento principal da bronquite, visa diminuir o processo inflamatório. Para isso, os corticóides continuam sendo o medicamento mais eficaz no tratamento desta doença, embora tenha vários efeitos colaterais  que pode limitar seu uso [7]. Os corticóides diminuem a inflamação local e consequentemente  promovem uma ação “antitussígena”  pois diminuem a estimulo dos nervos sensoriais das vias aéreas que são responsáveis pelo início do quadro de tosse, além disso, eles diminuem a produção de muco[7].

Nos casos crônicos sem agudização, a principio o tratamento é iniciado com medicação via oral em dose de ataque  até melhora de 75% dos sinais clínicos, cerca de 2 semanas,  a seguir é feito o tratamento de manutenção. Caso seja necessária uma dose muito alta de corticoide via oral, ou o animal apresente efeitos colaterais com a medicação via oral, opta-se por corticóides inaláveis, através de bombinhas. Estas por terem ação local direto nas vias aéreas acabam conferindo alívio mais rápido com poucos efeitos colaterais. A maior desvantagem é o método de aplicação.  Uma vez que a  medicação precisa ser inalada, e não é possível conseguir isso de modo passivo com cães e gatos, é preciso usar câmaras de adaptação que existem na forma comercial importada ( AeroKat  e AeroDawg ), adaptada com frasco de soro pelo veterinário ou versão humana de espaçador pediátrico.

 

Aplicação de bombinha com espaçador em cão com bronquite

 

Uma segunda opção de medicação, são os broncodilatadores, estes são indicados para alguns casos onde pode ser observado algum grau de constrição brônquica, o que não necessariamente acontece em todos os animais[7] . Mas pode ser tentado nos cães que não apresentarem uma boa resposta aos corticóides [7]. Pela redução da incidência de efeitos colaterais, também opta-se pela administração  por inalação, ao invés de via oral. Poucas vezes é necessário uso de antibióticos,  a menos que haja um resultado positivo na cultura das secreções  respiratórias [5,7,8]. Os animais obesos devem passar por uma dieta para redução do peso para diminuir o trabalho associado a respiração [8].

É importante que o cão ou gato com bronquite tenham reavaliações periódicas com o veterinário, pois a dose das medicações poderão sofrer ajustes [6]. O prognóstico da doença é variável, se a causa básica da doença puder ser identificada e eliminada o prognóstico é excelente, por outro lado se já ocorreu lesão permanente nas vias aéreas, a doença não pode ser curada[6]. Mas com tratamento clínico adequado os sinais podem ser amenizados e as lesões brônquicas podem ser interrompidas ou reduzidas [6].  Alguns animais que sofrem de crises graves podem morrer de insuficiência respiratória, apesar do tratamento[5,8]

 

Vacinação

O único e mais importante método que pode ser feito para prevenir as consequências da bronquite cônica em cães é diminuir a susceptibilidade aos agentes infecciosos causadores da traqueobronquite, como a Bordetella bronchiseptica e o vírus da parainfluenza [2]. Embora não se saiba precisamente o papel destes agentes nos quadros de bronquite crônica, eles podem ser fatores complicantes significativos, quando os sinais clínicos se desenvolverem [2].  Vacinação parenteral é recomendada principalmente em raças toys e miniaturas, que são as de maiores risco para a doença[2].

 

Maricy Alexandrino – Médica Veterinária

Este texto é um trabalho original do Autor e é protegido pela Lei de Direitos Autorais. Qualquer uso ou reprodução deste texto depende de prévia e expressa autorização.

 

Referências Bibliográficas

1. ETTINGER, S.J.; FEELDMAN, E.C.; Tratado de Medicina Interna Veterinária, 5º ed. Vol. 1, Rio de Janeiro: Guanabara, 2004, p 1113.

2. FORD, R, B. Chronic Cough in Dogs,  LAVC

3. GARDNER, S.Y.; Feline Asthma, in: WSAVA Congress, 2005

4. KING, L.G. Treating feline asthma and canine chronic bronchitis, In 65º Congresso Intternazionale Multisala SCIVAC, Rimini, 2010

5. NELSON, R.W.; COUTO, C.G.; Medicina Interna de Pequenos Animais, 2º ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2001, p 230-232.

6. NORIS, C.; Bronquite Felina (“Asma Felina”) – “Séries de Informação ao Cliente”.  Em ETTINGER, S.J.; FEELDMAN, E.C.; Tratado de Medicina Interna Veterinária, 5º ed. Vol. 1, Rio de Janeiro: Guanabara, 2004 p.2058.

7. PADRID, P.; Diagnosis and Therapy of Canine Chronic Bronchitis,  in: WSAVA Congress, Vancouver, 2001.

8. SOUZA, H.J.M; Coletâneas em Medicina e Cirurgia Felina,  1º ed.  Rio de Janeiro: L.F.Livros, 2003, p 148.

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