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Alergias em Cães, quais são e o que há de novidade?

29/07/2016

Dermatite Alérgica em Cães, quais são e o que há de novidade?

Os problemas dermatológicos tem se tornado cada vez mais frequente nos cães e gatos, e ocupam a maior parte dos atendimentos clínicos pelos médicos veterinários.  Uma das doenças cutâneas que tem crescido em número de atendimentos é a de causa alérgica.  A proximidade dos animais de estimação com seus donos, em seu ambiente doméstico os deixaram  expostos as mais diversas substâncias, alimentos e produtos  dos quais antigamente não faziam parte de sua rotina, e isso pode oferecer influencia direta nas causas alérgicas.

De um  modo geral, a alergia é causada por um desequilíbrio do sistema imunológico que reage de forma exagerada  a um determinado componente. A origem do problema geralmente é genética e  hereditária, e justamente por isso há raças muito mais predispostas a quadros alérgicos, entre elas: Poodle, West Highland White Terrier, Bulldogs (Inglês e Francês), Shih Tzu, Lhasa Apso, Labrador, Golden Retriever, Boxer, Yorkshire.

Existe basicamente 3 quadros clínicos alérgicos baseado na sua causa que podemos dividir:

  1. dermatite alérgica a picada de ectoparasitas (DAPE):  reação de hipersensibilidade causada principalmente por picada de pulgas  e algumas vezes de carrapatos, levando a reações  localizadas a generalizadas.  O animal apresenta coceira em todo corpo, porém algumas regiões podem apresentar pior, como região lombar (quadril), ao redor e em cima da cauda/ânus, abdômen e orelhas. Vale lembrar que apenas UMA pulga é capaz de causar o quadro num animal suscetível.
  2. hipersensibilidade alimentar: reação alérgica induzida por alimentos, podendo inclusive ser causado pela própria ração ingerida pelo cão/gato. As proteínas de origem animal tendem a ser as “vilãs” mais comuns, mas existes pacientes que podem ser alérgicos ao trigo, soja, milho... O cão ou gato podem apresentar coceira e lesões em todo o corpo, mas região anal e face (incluindo ao redor da boca, orelhas e olhos) geralmente encontram-se piores. 
  3. dermatite atópica:  a atopia ou dermatite atópica tem sido o tipo de alergia mais comumente diagnosticado nos cães em especial das raças citadas anteriormente. Nesta condição além do sistema imune “hiper-reativo” a pele  do cão, apresenta uma barreira cutânea mal formada, o que permite a penetração de diversos agentes ambientais, entre eles pólen (de gramíneas, flores, arbustos), poeira doméstica, ácaro da poeira doméstica que são os maiores causadores da alergia nestes pacientes. Além de outros agentes em potencial como perfumes e fumaça. Devido a essa disfunção da barreira cutânea, os cães atópicos são predispostos a infecções cutâneas bacterianas e fúngicas recorrentes e as otites  de repetição. A coceira tende a ser generalizada, incluindo orelha, face (ao redor da boca e olhos), mãos e pés, região abdominal, genital e ânus. Não é incomum que pacientes atópicos também sejam alérgicos a picada de pulgas e/ou a alimentos.

O diagnóstico das alergias cutâneas é basicamente clínico (histórico e apresentação do paciente) e não há um exame especifico que diferencie as causas alérgicas. No caso da DAPE o quadro alérgico  associado a presença de pulgas ou carrapatos no animal (e/ou apenas fezes de pulgas) é fortemente sugestivo, porém não se faz necessário a visualização de nenhum parasita no animal para que haja a suspeita diagnóstica  e  neste caso para confirmar o quadro é feito exclusão, se elimina/previne todos os ectoparasitas com uso de medicamentos específicos e avalia-se a resposta  clínica total pelo período de 3 meses.  O diagnóstico da hipersensibilidade alimentar é feito através de dieta de exclusão ou de eliminação, que é uma dieta hipoalergênica (comercial ou caseira) restrita e específica, usada pelo período mínimo de 60 dias. Já o da dermatite atópica é feita pela exclusão das outras causas alérgicas associada a outros parâmetros como idade do paciente, tempo de manifestação clínica, locais de lesão, resposta a tratamentos anteriores, recidivas e alterações cutâneas presente ao exame clínico. Porém atualmente já se sabe que muitos quadros de DAPE ou alergia alimentar podem ser quadros brandos de atopia, e que requer um tempo maior até fechar o diagnóstico definitivo.

Assim como nos seres humanos, existe os testes alérgicos intradérmico e sorológico porém na medicina veterinária não são  usados como meio diagnóstico, somente na fase de terapia dos cães atópicos.

O tratamento dos animais alérgicos varia de acordo com a causa da alergia, gravidade e cronicidade das lesões, idade do paciente e espécie (canina ou felina). No caso da DAPE o tratamento é basicamente remoção dos parasitas e alivio inicial dos sintomas de coceira, com medicações via oral.  O quadro de hipersensibilidade alimentar não responde bem a medicações orais ou injetáveis para alivio da coceira, podendo ser prescritos tratamentos tópicos  como xampus, loções, sprays para alivio do sintoma, mas o tratamento em si, baseia-se na dieta de restrição de acordo com os alimentos identificados como causadores de alergia em cada paciente, uma vez eliminado a causa o quadro é controlado.  Já o tratamento da dermatite atópica tende a ser mais complexo, sendo necessário o uso de terapia tópica (xampus medicamentosos, condicionadores, cremes, sprays, loções) associado a tratamento sistêmico que é feito com uso de drogas para controle da coceira a curto e a longo prazo.  Existem algumas opções de medicações entre humanas e veterinárias e o veterinário irá prescrever de acordo com cada caso. Para o tratamento da atopia também é possível  a imunoterapia, com uso de vacinas específicas elaboradas baseada no resultado dos  testes alérgicos.

O tratamento dos animais alérgicos é para toda a vida uma vez que a causa não tem cura, somente controle. Existe as medicações que serão usadas nas crises agudas bem como os tratamentos de manutenção a longo prazo. Sendo possível manter uma boa  qualidade de vida e controle dos sintomas de coceira com a associação de tratamentos, controle periódico do paciente com exame clínico e laboratoriais.

E o que há de novidade?

Na parte científica, estudos que correlacionam apresentação clínica e locais acometidos, com tipos específicos de alergia, o que facilitaria um diagnóstico inicial do paciente e com isso instituição mais rápida de um tratamento. Com relação ao tratamento, a mais recente descoberta no caso da dermatite alérgica,  é que um laboratório  multinacional conseguiu descobrir o exato ponto de estímulo neurológico que desencadeia a coceira nos cães, desenvolvendo uma medicação via oral que bloqueia o estimulo da coceira a nível cerebral, trazendo alívio e conforto ao paciente alérgico. Esta droga chegou recentemente ao Brasil e já está disponível para prescrição  pelos Médicos Veterinários especializados.  Para repor a barreira cutânea do paciente alérgico, também há disponível há menos de 1 ano no Brasil uma medicação em forma de spray e xampu com ceramidas específicas que ajudam a manter a hidratação da pele, colaborando pro controle do prurido e ajudando a retardar as recidivas de infecções  cutânea do alérgico.

Outra novidade, já com relação a alergia alimentar, são as rações em latas monoprotéicas, com proteínas exclusivas (cervo, pato, coelho), além de ração hipoalergênica com hidrolisado de frango (ao invés de soja) para serem usados nas triagens ou no tratamento das alergias alimentares.

Com relação as alérgicas a picadas de ectoparasitas, as medicações de uso trimestral ou coleiras com duração de 6 a 8 meses, são outras opções recentes no controle de pulgas e carrapatos.

Mas apesar das novidades,como dito anteriormente,  a necessidade do tratamento para toda a vida permanece!

Maricy Alexandrino - Médica Veterinária 

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